segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

aos quinze

"EU NÃO QUERIA SER MAIS UMA A COLOCAR NO MUNDO HORROROSAS POESIAS DE AMOR" (assim, com letras de imprensa, seguido por:)

"eu nao quero saber de amores mal realizados,
não quero saber de mágoas, de rancores,
eu não quero saber de brigas
que no futuro, umas cenas
um apartamento escuro
uma noite normal
nós dormindo numa cama grande
a minha perna, a metade do meu corpo descoberta
a minha mão quase enconsta o chão
e um gato
um gato louro, malhado, negro
um gato branco-gelo
esse gato de vida noturna
passeia sob a paz do nosso sono
procurando a solução dos mistérios do mundo
da noite debaixo da cama
uma de suas mãos (a mão esquerda)
está pousada na minha cintura
meus cabelos ainda são grandes
e a luz da cidade ilumina
uma sombra quase azul nos nossos rostos
nas nossas cobertas misturadas
nos nossos cabelos castanhos
nos nossos olhos castanhos fechados."

(e era (?) tão romântica...)

aos treze

"não sei como os adultos têm paciência pra viver. não consigo imaginar a vida sem a perspectiva de ela ainda estar começando"

(remexendo agendas, cadernos antigos. pequeno exercício de reconhecimento de mim mesma.)
só podia ser do nelson:

"Terra em Transe é um texto em chinês de cabeça pra baixo."
imprescindível
impreterível
terrível

mar em são paulo

queria enumerar as esquinas específicas onde a combinação exata de prédios, distâncias entre prédios, carros e cor de céu me deram a sensação de avistar o mar; não avistar, mas saber ali o mar. queria porque é óbvio que não o farei. hoje soube o mar em um ponto da bela cintra, depois do edifício da europa em forma de filtro d'água, entre a matias aires e a paulista. o céu estava nublado e antes de caírem os primeiros pingos esparsos e gordos eu já tinha sentido o cheiro de chuva misturado com o de asfalto quente. o abismo entre dois prédios me fez sentir o mar com tanta certeza que gelei.